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O Quinto

Avenida São João

Em 1651 andavam por aquelas bandas uns senhores de nome Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha.

Esses dois, como talvez tantos outros, ao tempo em que era fácil incrementar a colonização da terra conquistada, escreveram aos poderes públicos de então, a seguinte carta:

“Pedem os abaixos assinados a Vossas Mercês lhes deêm a cada um trinta braãs de chão no rócio desta vila, entre dois tibeiros chamados de Anhangobay e Yacuba, o qual chão se começará a medir do caminho que vai para Piratininga de fronte do chão de João Pires e da banda de umas casa de Maria Morena, até outros trinta braços de quintal para a banda do ribeiro Yacuba.”

Era dessa forma que se conseguia terreno naquele tempo. Bastava pedir. O que os donos da vila queriam era progredir e desenvolver o movimento daquele então primitivo São Paulo.

Ali perto desembocava uma outra rua até hoje denominada rua Brigadeiro Tobias, porque naquele lugar até ainda há pouco tempo, cerca de uns 60 mais ou menos, erguia-se um velho e enorme casarão, tipo sobrado, de muitas janelas que pertenceu ao Brigadeiro Tobias e sua esposa.O interessante era lembrar o que foi em todo esse tempo, a atual Avenida São João é mencionar a fonte que alimentava os ribeiros, derivando de uma pequena bica que saía ali da rua do Seminário e da Ladeira de Santa Ifigênia. O córrego, um deles, era o Yacuba, também conhecido por muito tempo pelo nome de Guaçu.


 

O córrego Yacuba, formado da fonte que borbulhava na Ladeira de Santa Ifigênia, ia desaguar no hoje Anhangabaú, ligando-se à corrente d’água que saía do Tanque do Zuniga, atual Largo Paissandú.

Aquela abertura larga que hoje é a Praça Antonio Prado, e que ficava em lugar mais alto, era conhecida como Largo do Rosário, porque ali é que estava antes a antiga Igreja do Rosário que depois acabou sendo transferida para o Largo Paissandú onde hoje ainda se encontra e é o reduto dos homens pretos católicos.

Os trechos de rua que faziam esse aspecto da Piratininga, isto é: o fim da rua Santa Ifigênia, o resto da Rua Brigadeiro Tobias e depois o Largo do Correio que se misturava com o Beco dos Sapos, por cima do Anhangabaú, é que formaram posteriormente, com sucessivos alargamentos, a nossa atual e bela Avenida São João.

Ali havia antigamente o teatro Politeama, bem lembrado hoje por todos aqueles paulistas que encaneceram vendo São Paulo crescer. O Politeama era o centro da vida noturna, onde os boêmios se agrupavam para os espetáculos daquela geração.

Em 1888, ali onde está o Correio havia um mercadinho. Quem, que hoje ainda viva, desde aquele tempo, não conhecem o pitoresco mercado da velha rua São João? Certo só os que passaram por aquela época e hoje estejam aí beirando os 80 anos.

E é interessante que se diga que, além disso tudo que descrevemos, naquele ponto, nada mais havia para lá do Largo Paissandú. Sabia-se apenas que ali começava a estrada que ia para a Freguesia do Ó.

De fato, A primeira São Paulo pode mencionar três velhos bairros – a Sé, Pinheiros e Freguesia do Ó – antes que tudo crescesse e viesse a ser o que é hoje.

Fonte: Vitor, Manoel. São Paulo de Antigamente. Grafisyl Editora Gráfica Ltda.
Imagem: Diretoria de Obras e Viação da P.M.S.P.

Curiosidades

A avenida São João, um dos símbolos de São Paulo, já foi uma acanhada viela chamada “Beco do Acu”? (água envenenada). No século XIX, localizava-se nas proximidades do Anhangabaú. Com o crescimento da cidade, o “Beco” transformou-se em Rua de São João Batista e, mais tarde, em Avenida São João. Na foto (acima) de 1929, observamos uma das várias fases de transformação da Avenida em seu processo de ampliação. Ao fundo, à direita, vemos também o edifício Martinelli ainda em construção.